Como contestar um Pix de golpe e o que fazer depois

Caiu no golpe do Pix? Conteste agora, pelo app do seu banco: na área Pix, ou abrindo no extrato o Pix que você fez e escolhendo a opção de contestar. A regra do Banco Central dá até 80 dias, contados da data do Pix, para pedir (conferido em 08/10/2026). Mas o dinheiro só volta se ainda houver saldo na conta que recebeu ou nas contas para onde ele foi passado, e “quanto antes contestar, maior a chance de reaver os valores” (CERT.br).

Não espere o boletim de ocorrência para contestar. Quando você registra a contestação, o banco tem de abrir na hora o pedido de recuperação do dinheiro, sem analisar o caso antes e sem pedir documento, como o B.O., nesse momento (guia do MED, Banco Central). Faça o B.O. depois de contestar (veja “Além da contestação”, no fim): o banco pode pedi-lo mais tarde.

Na contestação, o app pergunta o que aconteceu. A tabela logo abaixo mostra qual resposta corresponde a cada golpe. E um aviso para quem foi vítima de loja falsa: se o seu app oferecer respostas como desentendimento comercial, pessoa errada ou arrependimento, escolher uma delas faz o app avisar que não dá para concluir o registro.

Como contestar um Pix de golpe no app

O nome da opção muda de app para app, mas o caminho é parecido em todos, porque segue a mesma regra do Banco Central, o manual de requisitos mínimos do Pix. As regras citadas neste texto são as do manual do Pix (versão 7.3, de dezembro de 2025) e as do guia do MED (versão 4.3), conferidas em 08/10/2026.

  1. Abra a área Pix do app e procure a opção de contestar. Ou vá ao extrato, abra o Pix que você fez para o golpista e conteste dali. O manual do Pix exige os dois caminhos.
  2. Não achou? O atalho para o atendimento do banco, que fica na área Pix, também tem de levar à contestação (manual do Pix). Se mesmo assim não der, fale com o atendimento do banco e peça a contestação do Pix por golpe: o pedido também pode ser feito por esse canal (guia do MED).
  3. Responda à pergunta sobre o tipo de golpe. Veja a tabela da próxima seção.
  4. Envie e tire print da tela de confirmação, com o número de protocolo.

Se o Pix tem mais de 80 dias, o app tem de avisar que o prazo passou. E o MED, o mecanismo de devolução por trás da contestação, não vale para Pix Saque e Pix Troco (manual do Pix).

Você mesmo fez o Pix, com senha ou biometria? Ainda dá para contestar. Nas palavras do Banco Central, o pedido “pode ser feito inclusive se o usuário pagador tiver autorizado a transação por meio de senha ou de qualquer mecanismo biométrico” (guia do MED).

Qual resposta corresponde ao seu golpe

Ao contestar, o app pergunta qual tipo de golpe, fraude ou crime você sofreu, e você escolhe uma resposta (manual do Pix). Cada banco pode escrever essas respostas do seu jeito: as telas do manual são exemplos e não obrigam o app a usar aquelas palavras. Por isso a tabela descreve cada resposta pelo sentido. Procure no seu app a que diz a mesma coisa.

A pergunta que separa os casos é: quem fez o Pix, e como?

O que aconteceuA resposta que corresponde (pelo sentido)
Comprou de uma loja ou de um perfil falso e pagou com PixA de quem foi enganado por um golpista e fez o Pix
Alguém se passou por parente ou amigo no WhatsApp e você mandou o PixA de quem foi enganado por um golpista e fez o Pix
Uma falsa central do banco convenceu você a transferirA de quem foi enganado por um golpista e fez o Pix
Pagou um QR Code falso ou alteradoA de quem foi enganado por um golpista e fez o Pix
Passou a sua senha (para uma falsa central, por exemplo) e o golpista fez o PixA de que um fraudador usou a sua senha sem autorização
Roubaram o seu celular e o ladrão fez Pix com a sua senhaA de que um fraudador usou a sua senha sem autorização
Apareceu um Pix que você não fez, e ninguém tinha a sua senhaA de que outra pessoa transferiu da sua conta, sem a sua senha e sem você saber
Foi ameaçado ou sequestrado para fazer o PixA de quem foi ameaçado ou teve a liberdade restringida para fazer o Pix
Nenhuma das anteriores“Outro tipo de golpe”, com um relato escrito (veja abaixo)

(Respostas: exemplo do manual do Pix. Linhas de senha: guia do MED.)

Antes de enviar:

  • Responda o que aconteceu de fato. A tabela ajuda a reconhecer o seu caso; quem decide se foi fraude é o banco.
  • O seu app pode ter mais opções que estas. O banco pode ter mais de uma resposta para o mesmo tipo de golpe (manual do Pix). Escolha a que descreve o seu caso.
  • As regras têm data. O Banco Central já publicou a versão 7.4 do manual, que vale a partir de 01/03/2027. Até lá, vale a versão 7.3, que é a descrita aqui.

“Outro tipo de golpe”: escreva o relato antes

Se escolher “outro tipo de golpe”, o app pede um relato de até 2.000 caracteres (manual do Pix). Cabe com folga o que está na lista abaixo. Escreva antes, no bloco de notas do celular, e cole na hora:

  • o que aconteceu, em ordem, com data e hora;
  • como o golpista chegou até você (anúncio, perfil, mensagem, ligação), com o nome do perfil ou o número;
  • o valor, a data do Pix e o nome de quem recebeu, como aparece no comprovante;
  • o que o golpista prometeu ou pediu.

Escolher “outro tipo” não trava o pedido: o banco registra e só depois analisa, pelo relato, se o caso entra no MED (manual do Pix).

As respostas que encerram o pedido

Alguns apps trazem, junto com as respostas de golpe, opções para situações que o MED não cobre. O manual do Pix dá três exemplos: desentendimento comercial entre comprador e vendedor, transferência para a pessoa ou empresa errada e arrependimento de ter feito o Pix. Ter essas opções é recomendação do manual, não obrigação, então o seu app pode não ter nenhuma delas.

Se tiver e você escolher uma, o app tem de avisar que não é possível concluir o registro da contestação e que, nesses casos, você pode tentar a devolução direto com quem recebeu (manual do Pix). O pedido não é registrado.

A armadilha é da vítima de loja falsa. Ela pensa “comprei e não recebi, então é problema de compra” e marca o desentendimento comercial. Se a loja era golpe, o caso não é desentendimento: a resposta é a de quem foi enganado por um golpista. A seção “Loja falsa ou loja que só não entregou?”, mais abaixo, ajuda a separar os dois casos.

Essas opções podem ficar numa segunda tela. No exemplo do manual, a primeira pergunta traz uma opção como “outra situação”; quem a escolhe vê depois a lista com desentendimento, pessoa errada, arrependimento e uma opção de outros casos de fraude. Se você chegou a essa tela e foi golpe, a resposta é a de outros casos de fraude.

O manual não diz se dá para refazer a contestação depois de escolher uma dessas respostas. Então leia a pergunta com calma antes de enviar. Se o app encerrou o pedido e o seu caso foi golpe, procure o atendimento do banco e explique o que aconteceu.

Golpe do Pix, o que fazer em cada caso: MED ou outro caminho

O que aconteceuVai pela contestação (MED)?O que fazer
Golpe: loja falsa, perfil falso, falsa central, falso parente, QR Code alteradoSimConteste no app, como acima (CERT.br)
A loja existe, mas atrasou a entrega ou mandou outro modeloNãoReclame com a loja por escrito; depois, no consumidor.gov.br e no Procon
Comprou de uma loja de verdade e quer desistirNãoÉ direito de arrependimento, com a loja
Mandou o Pix para a chave ou a pessoa erradaNãoPeça a devolução a quem recebeu
Pix Saque ou Pix TrocoNãoFale com o atendimento do seu banco
Pagou a compra com cartão de crédito (não foi Pix)NãoConteste a compra pelo app ou pelos canais oficiais do banco que emitiu o cartão (CERT.br)
Digitou a senha ou os dados do cartão num site falsoSó se também houve PixTroque senhas e bloqueie o cartão (veja “Além da contestação”, no fim)

Ao abrir a contestação pela primeira vez, o app tem de informar o que o MED não cobre (manual do Pix).

Os dois casos de loja de verdade estão no artigo sobre o direito de arrependimento, que mostra também onde reclamar quando a loja se recusa a resolver. O consumidor.gov.br é um serviço público e gratuito, a empresa tem até 10 dias para responder e ele não substitui o Procon (consumidor.gov.br).

Loja falsa ou loja que só não entregou?

Você comprou na Black Friday, pagou com Pix e o pedido não chegou. É golpe ou atraso? A regra do Banco Central separa os dois pelo vendedor.

Entra no MED a compra em que o fraudador não envia o produto vendido ou envia um produto totalmente diferente. Não entra a compra em que o produto chegou fora do prazo, não agradou, não correspondeu exatamente ao que você esperava ou não era exatamente o modelo comprado, “ou qualquer outro desacordo comercial que não possa ser caracterizado como fraude do vendedor” (guia do MED).

O mesmo guia avisa: “não basta ao usuário pagador não reconhecer uma compra para ter os recursos devolvidos. É necessário também provar que o vendedor foi o agente que cometeu a fraude, o golpe ou o crime.”

Os sinais que ajudam a ver em qual lado o seu caso está:

Sinais de loja que existe e falhouSinais de golpe
CNPJ ativo e canais de atendimento disponíveis (Senacon)Site que sumiu depois do pagamento (Senacon)
Há número de pedido e um rastreio que anda, mesmo atrasadoNunca houve pedido nem rastreio, o perfil foi apagado e ninguém responde
Chegou o produto, mas outro modeloChegou algo totalmente diferente do que foi vendido (guia do MED)

Mais uma checagem: a lista Evite esses sites, do Procon-SP, reúne lojas virtuais que receberam reclamação, foram notificadas e não responderam ou não foram encontradas (Procon-SP). Se a loja está lá, ela não respondeu nem ao Procon: conte isso como sinal da coluna do golpe.

  • Os sinais apontam golpe? Conteste já, com a resposta de quem foi enganado por um golpista. O prazo e o saldo correm contra você.
  • A loja responde e o pedido existe? O caminho é a reclamação contra a loja, na tabela acima.

Os sinais indicam o caminho; quem classifica o caso é o banco. E há um caso de golpe que fica fora do MED: quando o dinheiro foi usado para comprar um produto ou serviço de um terceiro de boa-fé, como uma empresa real que vendeu sem saber do golpe (guia do MED).

Se o pedido chegou e a dúvida é se o desconto da Black Friday era de verdade, isso é outro problema: veja como saber se o desconto é real.

Depois de enviar a contestação

O que conferir na tela

Logo depois do envio, o app tem de mostrar (manual do Pix):

  • o número do protocolo, com data e horário do registro;
  • o prazo máximo para o banco responder se aceitou ou recusou o pedido;
  • o aviso de que a devolução depende de haver saldo na conta que recebeu ou em outras contas envolvidas;
  • o aviso de que o banco de quem recebeu será notificado da suspeita de fraude.

Se faltar o protocolo, peça ao atendimento do banco.

Sobre o prazo, o manual do Pix dá como exemplo de aviso no app este texto: “Em até 11 dias, se a sua solicitação for considerada procedente e havendo recursos na conta do recebedor ou em outras contas envolvidas na fraude, você receberá seu dinheiro de volta” (conferido em 08/10/2026). Os 11 dias são o prazo máximo.

Depois, a contestação fica numa área de consulta do app, com protocolo, nome de quem recebeu, valor contestado, valor devolvido e a situação do pedido (manual do Pix). O manual dá como exemplos de situação “em análise”, “aprovada”, “rejeitada” e “cancelada”:

  • Em análise: o banco ainda está avaliando. Acompanhe o prazo de resposta que aparece no pedido.
  • Aprovada: o pedido foi aceito. Olhe o valor devolvido: ele pode ser menor que o contestado, porque depende do saldo que sobrou.
  • Rejeitada: veja a próxima seção.
  • Cancelada: o app permite cancelar um pedido registrado (manual do Pix). Se você não cancelou, procure o atendimento do banco com o protocolo.

O banco pode pedir, depois do registro, um relato ou documentos, como o B.O.; o próprio manual diz que o envio de documentação complementar ajuda a comprovar a fraude (manual do Pix). Mande o que tiver.

Contestação rejeitada: o que fazer

  1. Não tente registrar de novo no app. Se o Pix já foi analisado e a devolução foi negada, o app tem de informar que não é possível um novo registro e orientar você a procurar o canal de atendimento do banco (manual do Pix).
  2. Procure o atendimento do banco, por escrito, com o número do protocolo, e peça o motivo da recusa. Anote os novos protocolos, o nome de quem atendeu, a data e a hora (CERT.br).
  3. O banco não resolveu? Registre reclamação no Banco Central. O app tem de mostrar na área Pix, junto ao atalho do atendimento, que você pode reclamar no site do Banco Central se o banco não resolver (guia do MED).
  4. Ainda sem solução, procure o Procon do seu estado ou um advogado (CERT.br).

Isso vale para a contestação que foi analisada e negada. Se o app nem registrou o pedido porque você escolheu uma resposta de fora do MED, o caso é o da seção “As respostas que encerram o pedido”: procure o atendimento do banco.

O dinheiro volta? MED do Pix, MED 2.0 e bloqueio cautelar

O MED do Pix, o Mecanismo Especial de Devolução, é o conjunto de regras do Banco Central que permite devolver um Pix em caso de fraude, em vigor desde novembro de 2021. Quando o banco de quem pagou aciona o MED por suspeita de fraude, o dinheiro disponível na conta de quem recebeu tem de ser bloqueado na hora; se a fraude for confirmada, ele é devolvido (Voto 105/2025).

A devolução de um Pix de golpe depende de duas coisas: a contestação ser aceita e haver saldo. Não é seguro nem reembolso garantido. E o Banco Central resume o problema numa linha: “Dinheiro de golpe/fraude é rapidamente pulverizado” (apresentação “MED 2.0”, Banco Central). É por isso que a contestação vem antes de tudo.

O que é o MED 2.0

MED 2.0 é o nome que o próprio Banco Central dá ao aprimoramento do mecanismo. Antes dele, o bloqueio e a devolução alcançavam só a primeira conta que recebeu o dinheiro do golpe (apresentação “MED 2.0”).

Com a mudança, entrou a “recuperação de valores”: o rastreio das transações seguintes, o bloqueio dos saldos nas contas que receberam o dinheiro depois e a devolução direto para a conta da vítima. O rastreio passou a ser obrigatório para os bancos em 02/02/2026 (Voto 105/2025, itens 4 e 9).

Para você, nada muda no jeito de contestar: o caminho e a pergunta do app são os mesmos. O que muda é o que acontece depois, entre os bancos: é essa recuperação de valores que o banco abre quando você contesta. Rastrear mais contas não garante a devolução, que continua dependendo de saldo.

Bloqueio cautelar: o que é e quem faz

O bloqueio cautelar é feito pelo banco de quem recebeu o Pix, por até 72 horas, quando há suspeita de fraude, para avaliar melhor o caso. O banco decide por critério próprio, assim que o dinheiro cai na conta; se concluir que foi fraude, devolve o valor a quem pagou (guia do MED).

Você não pede bloqueio cautelar. O que você faz é contestar, e aí o bloqueio que acontece é o do MED, sobre o saldo da conta que recebeu.

Golpe do Pix errado: pediram para devolver um Pix que caiu por engano

Caiu na sua conta um Pix que você não esperava, e logo alguém pede para devolver mandando para outra chave? Primeiro, confira no extrato se o dinheiro caiu mesmo. Se for devolver, use só o botão de devolução da própria transação, no extrato. A devolução feita por ali volta para a conta de quem mandou o Pix (guia do MED). Um Pix novo vai para a chave que a pessoa indicar, que pode não ser a de quem mandou o dinheiro.

Não precisa decidir sob pressão: o botão de devolução vale para Pix recebidos nos últimos 90 dias (manual do Pix).

Além da contestação: B.O., senhas e onde reclamar

Feita a contestação, o resto (CERT.br):

  • Corte o contato com o golpista. Não mande mais dinheiro nem informações, não tente negociar e bloqueie o perfil ou o número.
  • Guarde as evidências: links, mensagens, nomes de perfis, números de telefone, prints e comprovantes.
  • Faça o boletim de ocorrência. Na maioria dos casos dá para fazer online. Inclua as evidências.
  • Denuncie na rede social o perfil, a mensagem ou o anúncio, pelos recursos da própria plataforma.
  • Passou a senha ou digitou num site falso? Troque a senha em todas as contas onde ela é usada, ative a verificação em duas etapas e encerre as sessões abertas em outros aparelhos.
  • Passou os dados do cartão? Peça o bloqueio do cartão e confira se há compras que você não reconhece, inclusive em faturas anteriores.
  • Apareceu empréstimo ou dívida no seu nome? Confira no Registrato, do Banco Central, o relatório de empréstimos e financiamentos, que mostra as suas dívidas com bancos e financeiras (gov.br). Se não conseguir cancelar o que o golpista fez, avalie a reclamação no Banco Central, o Procon do seu estado ou um advogado.

Este texto explica as regras do Banco Central para a contestação e não substitui orientação sobre o seu caso.

Fontes